domingo, 19 de maio de 2024

Sueli Feitosa depõe durante 12 horas e dá pistas de envolvidos

Da redação

O bom humor dos delegados Renato Mardegan e Valdir Alves de Oliveira indicou que a quarta-feira, 27, foi o melhor de todos os dias da investigação sobre o desvio milionário de dinheiro dos cofres da prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo, crime descoberto no ano passado. A ex-tesoureira Sueli de Fátima Feitosa, considerada a operadora do esquema, depôs durante quase 12 horas na condição de testemunha num dos inquéritos que apura o envolvimento de mais pessoas. Presa durante mais de quatro meses até ganhar a liberdade graças a um habeas corpus, Sueli desta vez parece ter contado detalhes que podem ajudar a Polícia Civil a descobrir provas da participação de outras pessoas no desfalque.

Nenhuma informação importante foi transmitida à imprensa, pois todos os processos estão sob sigilo, decretado pelo juiz da Vara Criminal da comarca de Santa Cruz do Rio Pardo. No entanto, outro indicativo de que as declarações de Sueli Feitosa foram produtivas foi o clima extremamente cordial entre o advogado dela, Luiz Henrique Mitsunaga, e os delegados da Polícia Civil. Em outros depoimentos, havia uma nítida tensão entre as autoridades e o delegado.

Sueli Feitosa chegou ao prédio da Central de Polícia Judiciária às 8h30 da manhã. Fez uma pequena pausa para o almoço, de menos de uma hora, e continuou o depoimento até a noite. A ex-tesoureira foi convocada como testemunha para contar detalhes sobre a “delação pública” que assinou em maio deste ano, quando citou nomes de outros supostos envolvidos no esquema. Ela disse que era ameaçada e chantageada para retirar dinheiro dos cofres municipais desde o governo de Adilson Mira (PSDB). Os recursos eram entregues, segundo ela, ao então secretário Ricardo Moral, que falava em nome do “chefe” — que seria o então prefeito Mira.

Sueli contou na “delação” que Moral continuou ordenando a retirada de dinheiro público até mesmo no início da administração de Otacílio Parras Assis (PSB), em 2013. Quando a ex-tesoureira resolveu “dar um basta” no desfalque, teve início outra chantagem, desta vez de Cláudio Agenor Gimenez, atual presidente da Codesan, que na época era secretário de Otacílio.

Claudio teria descoberto o desfalque e, segundo Sueli, também quis se beneficiar. O dinheiro desviado, entretanto, já não era entregue pessoalmente, mas em envelopes que um motoboy — cuja identidade ainda é um mistério — que agia em nome de Gimenez.

Como a “delação” de Sueli teve 11 páginas, pelo tempo do depoimento a ex-tesoureira teve praticamente mais de uma hora para explicar cada página. Assim, é muito provável que ela deu pistas concretas para que a polícia apure o envolvimento de outras pessoas.

No documento entregue à polícia, Sueli também disse que os ex-prefeitos Maura Macieirinha (PSDB) e Otacílio Parras Assis (PSB) tinham conhecimento das irregularidades. Ela também narrou fatos irregulares que aconteciam na prefeitura nos últimos três governos, citando nomes de servidores públicos e empresas.

FONTE: Debate News

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