quinta, 7 de maio de 2026
Publicado em 18 abr 2026 - 08:45:44
O motivo é o atraso de pagamentos à entidades, instituições, fornecedores e servidores
Hernani Corrêa
A última sessão da Câmara Municipal de Ourinhos de 12 de abril não foi muito diferente das demais. Normalmente, vereadores considerados como de ‘oposição’ pelo atual prefeito Guilherme Gonçalves (PODEMOS), tecem severas críticas.
Desta vez, foi um pouco mais conturbada, pois até alguns parlamentares da base que apoiam o atual prefeito resolveram também se manifestar.
Os discursos calorosos aconteceram depois que o vereador Edvaldo Lúcio Abel ‘Vadinho’ (PODEMOS), leu um requerimento de sua autoria, solicitando informações sobre a real situação financeira da prefeitura de Ourinhos.
POSSÍVEL COLAPSO FINANCEIRO – O primeiro a se manifestar, logo após ler seu requerimento, foi o vereador Vadinho que mostrou preocupação em relação aos atrasos de repasses da prefeitura, principalmente da Saúde, para a ABEDESC – Associação Beneficente de Desenvolvimento Social e Cultural, atual gestora da UPA – Unidade de Pronto Atendimento de Ourinhos, Santa Casa de Ourinhos e atrasos de pagamentos a médicos e servidores. “Já passou da hora de convidarmos o secretário municipal de Finanças, de Saúde e de Planejamento para que compareçam nesta Casa para dar explicações sobre suas pastas e esclareçam a real situação do município, estamos muito preocupados. Ouvimos muitas coisas e não sabemos se é verdade ou se é mentira, precisamos tomar atitudes. É necessário cortar cargos, secretarias, 50% dos contratos existentes, senão podemos entrar em colapso”.
E continuou: “Tentamos falar com o secretário de Saúde, não conseguimos, tem secretário que se pedirmos um orçamento de sua secretaria, ele não tem condições de fornecer um relatório, não pode passar mais. Tem necessidade de Ourinhos ter o número de secretarias que tem? Podemos diminuir até oito secretarias, é preciso vontade política”.

TRANSPARÊNCIA – O vereador da base, Gil Carvalho (PL), pediu um à parte e endossou as palavras de Vadinho, após ter feito diversos requerimentos – “Temos que parar de falar, precisamos agir, realmente chamar os secretários, não estamos atacando o prefeito, precisamos saber da verdade, como está a situação financeira do município e de que forma podemos ajudar”, afirmou, se dirigindo e cobrando o presidente da Câmara, vereador Cícero Investigador (REPUBLICANOS).

VAI COLAPSAR MESMO – O vereador Wesley Carlos (REPUBLICANOS) emendou em seguida: “É mais fácil perguntar para a prefeitura pra quem ela não deve, porque além do que já foi citado, tem as horas extras que não foram pagos aos funcionários, veículos da prefeitura são parados no pedágio por não ter sido pago o SEM PARAR, fone do pátio da prefeitura cortado por falta de pagamento. Nós já avisamos eu, o Cícero e o Kita que a cidade ia colapsar mesmo. E o contingenciamento proposto prejudica em cheio os servidores municipais”.

IPMO – O vereador Anísio Felicetti (PSB), lembrou também do IPMO – Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Ourinhos: “Temos ouvido também a preocupação dos funcionários aposentados da prefeitura”. Sobre o assunto, Vadinho relatou que “desde outras administrações, vêm parcelando, parcelando e uma hora isso vai explodir”.

SEM FAPI E CORTAR NA CARNE – O vereador Abel Fiel (PSDB), ferrenho defensor da atual administração, saiu em defesa do prefeito e afirmou que a administração anterior teve uma válvula de escape com a concessão da SAE, onde arrecadou R$ 270 milhões, conseguiu pagar as dívidas e deixou uma herança com a folha de pagamento de R$ 16 milhões por ano. “Penso também que é necessário fazer uma reestruturação no município, um decreto de contingenciamento, isso pra ontem, não fazer a FAPI este ano e tentar enxugar o máximo o orçamento, mesmo que seja necessário cortar na carne, inclusive no Legislativo”.

TINHA CONHECIMENTO – Por fim, o presidente da Câmara, vereador Cícero Investigador, um dos que mais atacam a atual administração subiu na tribuna e ‘disparou’: “O prefeito sabia o que receberia quando assumiu o cargo, a prefeitura com um superávit de R$ 85 milhões, isto não salda a dívida do município. A pessoa para ser prefeito precisa saber o que tem que ser feito. Eu recomendei que não fizesse FAPI o ano passado, foram gastos R$ 4 milhões em shows, nunca na história de Ourinhos, se fez três shows em uma noite”.
BOM COBRADOR, MAL PAGADOR – E continuou atacando o prefeito: “O prefeito não tem zelo pelo dinheiro público. R$ 530 mil gastos em ovos de páscoa para crianças que precisam de tratamento médico, de exames. Ninguém pratica esportes sem ter saúde. O prefeito cobrava muito quando estava aqui, mas “todo bom cobrador é um mal pagador”, essa semana moradora gritou do alto de seu apartamento: “Guilherme, paga o médico”.
DÍVIDA COM A UMMES – Ainda, de acordo com o presidente da Câmara, “o prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo, Otacílio Parras (PL), disse que Ourinhos é a cidade que mais deve para a UMMES – União dos Municípios da Média Sorocabana, é vergonhoso a falta de competência, o descompromisso, o desserviço”.
No final da sessão, Cícero Investigador voltou a atacar e ofender o atual prefeito.
SELO PRATA – Em relação ao pronunciamento do vereador Abel Fiel, que sugeriu ser necessário inclusive, reduzir os gastos no Legislativo, Cícero rebateu: “Quanto ao Legislativo, as finanças vão bem, obrigado. Gastamos o que temos no bolso, não adianta querer justificar o indefensável, fomos Selo Prata de administração em 2025. Não adianta transferir para a Câmara uma responsabilidade que não é nossa”.

RÉPLICA – O vereador Abel Fiel, na sequência, afirmou que não teve a intenção de criticar a administração do Legislativo: “O dinheiro que vem para a Câmara é da população, o dinheiro precisa ser investido, digo que os vereadores precisam entender que é preciso cortar na carne, que muitos dos vereadores têm participação no governo com indicação de cargos, não é crime, não é ilegal, e nem pecado. Mas se for necessário, é preciso cortar”.
TRÉPLICA – Cícero Investigador retrucou: “Não dei nome, apenas me manifestei, fazer gestão exige um fino trato, e vamos bem, obrigado. E o dia que vossa excelência estiver sentada aqui como presidente, tenho certeza de que poderá tomar as decisões necessárias em relação aos vereadores”.
CONTIGENCIAMENTO DE FACHADA – Cícero finalizou seu pronunciamento afirmando que a prefeitura deve R$ 4 milhões à Santa Casa, R$ 30 milhões ao IPMO, dinheiro à ABEDESC, serviços essenciais, segundo ele. “Eu desisto de falar com o Secretário de Saúde. O prefeito fez um contingenciamento de fachada no ano passado, basta acompanhar o Diário Oficial, pois nunca se viu tantos incompetentes por metro quadrado serem contratadas, escondidos nos setores. O que está faltando ao prefeito é um espelho para responder ao requerimento do vereador Vadinho”.
“NÃO SOU OPOSIÇÃO” – O vereador Ederson Aparecido Machado ‘Kita’ (MDB), também se manifestou na sequência: “Temos que por o dedo na ferida. Em campanha, falou-se muito em mais Saúde, que iria economizar em carnaval para se investir no setor. Mas o que vemos é contraditório, idosos têm enfrentado filas de madrugada para conseguir consulta, é desumano, mães não conseguem consultas com pediatra. Não adianta colocarmos a responsabilidade no secretário, é do prefeito que o contratou. Não sou oposição à pessoa Guilherme Gonçalves sou oposição das irregularidades que acontecem dentro da atual administração municipal. Errar é humano, persistir é burrice, estão tratando o povo com pão e água. Não podemos mais aceitar apropriação indébita, recursos que vieram para entidades e instituições não foram repassados, fornecedores não recebem há meses”.

CONTINGENCIAMENTO DE DESPESAS – No intuito de equilibrar as contas da prefeitura de Ourinhos, o prefeito Guilherme Gonçalves publicou no Diário Oficial na terça-feira, dia 14/04, decreto de contingenciamento de despesas em todos os setores da administração com redução de cargos comissionados, de confiança, suspensão de eventos, feiras, competições esportivas, novas locações de imóveis, reformas, reorganização da Secretaria de Educação.
O decreto ainda ‘sugere’ ao Poder Legislativo que economize para que possam ser devolvidas as sobras no final do ano, denominado duodécimo.
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