quarta, 12 de junho de 2024

Um Sportage vale R$ 135 mil? Kia recheia versão EX e diz que sim

Uma máxima do capitalismo – que já virou lugar comum – diz que, na crise, uns choram, enquanto outros vendem lenços. Com o novo Sportage, a Kia tenta engolir o choro para esperar por dias melhores. Principal produto da marca no Brasil (45% das vendas totais), o SUV sul-coreano tem a missão de manter esse status dentro do grupo com desenho marcante, tecnologia e… preço. A Kia chamou de preço competitivo no início da pré-venda: sempre com motor 2.0 flex de 167 cv (etanol), câmbio automático de seis marchas e tração 4×2, a quarta geraçāo do Sportage começa em R$ 109.990 (LX) com o valor que chega a R$ 134.990 (EX). Pelas primeiras reservas das concessionárias, este pacote mais caro responderá por 70% dos emplacamentos, algo entre 320 e 350 unidades/mês. Pudera, a topo de linha é a que mais aglutina itens novos e bacanas — alguns, a marca faz questão de alardear, exclusivos do segmento de SUVs médios.

Coreano ou alemão?

Para começo de conversa, o Sportage EX é equipado com assistente à partida em rampas e descidas, sensor de ponto cego, seis airbags, partida sem chave e controles de estabilidade e tração. Mas, acredite, a LX não tem sequer ESP por aqueles R$ 110 mil. São diferenças marcantes: as rodas de 19″ são mais vistosas que as de 17″. E como não perceber o jeito de “Jaspion” do conjunto de quatro luzes auxiliares de LEDs? Design que já se destaca pelos faróis destacados e acima da linha do capô, em um estilo que lembra o controverso Porsche Cayenne.

Junto aos faróis auxiliares, entradas de ar melhoram a aerodinâmica do Sportage, em conjunto a defletores laterais no spoiler traseiro e painéis inferiores com menos reentrâncias e saliências. O coeficiente de arrasto melhorou de 0,35 para 0,33. O Sportage — que usa a mesma plataforma do Hyundai ix35 — cresce. São 3 cm a mais no entre-eixos (2,67 m) que garantem folga para os joelhos de quem vai atrás. O banco traseiro também aumenta a inclinação de 28 para 39 graus, mas ainda recebe apenas dois adultos e uma criança com conforto. Já o incremento de 4 cm no comprimento (4,48 m) e de 3 cm na altura (1,66 m) garantem mais 128 litros no porta-malas (868 l, no total). O vão da porta traseira facilita a colocação de malas grandes, mas saiba que esse volume só é possível com bagagem até o teto e reclinação mínima dos encostos.

Dimensões e itens servem de argumento para a Kia convencer o cliente de que o Sportage entrega mais e cobra menos. A ponto de eleger rivais de peso. São elencados os esperados Hyundai ix35, Honda CR-V 2.0 e Toyota RAV4.

Mas também estão na alça de mira configurações de entrada de SUVs das grandes alemãs: BMW X1 sDrive 20i, Audi Q3 Attraction 1.4 e Mercedes-Benz GLA 200 Style.

Veja o conteúdo das versões

 

+ Sportage LX 2.0 A/T: R$ 109.990

 

Além dos obrigatórios airbags frontais e freios com ABS, é importado com ar-condicionado com saída para o banco de trás, direção elétrica, sensor de estacionamento traseiro, tela de 5″ sensível ao toque com som, Bluetooth, entradas auxiliar e USB e câmera de ré, seletor com três modos de condução, volante multifuncional com ajustes de altura e de profundidade, computador de bordo, banco traseiro bipartido e reclinável, freio de estacionamento por pedal, piloto automático, rodas de liga-leve aro 17″ (inclusive o estepe), sensor de luminosidade, cintos de três pontos para quatro ocupantes, encostos de cabeça dianteiros ativos e Isofix para fixação de cadeirinhas infantis, entre outros itens.

+ Sportage EX 2.0 A/T: R$ 139.990

 

Recebe adicionalmente airbags laterais dianteiros e do tipo cortina, controles de estabilidade, tração e de frenagem em descidas, assistente à partida em aclives, retrovisor eletrocrômico, sensor de ponto cego, aletas atrás do volante para trocas sequenciais de marcha, sistema de assistência à frenagem de emergência, ar-condicionado automático digital bizona, banco do motorista e do passageiro com regulagens elétricas, tela de 7″ com GPS, chave inteligente para acionamento do motor por botão start/stop e abertura/travamento das portas, faróis auxiliares e lanternas de LED, sensor de chuva, retrovisores externos rebatíveis eletricamente, maçanetas externas cromadas e com iluminação, teto-solar panorâmico, volante com base chata, soleira de aço, revestimento de couro (bancos, volante, painéis das portas e alavanca do câmbio), rodas de liga-leve de 19″ (inclusive o estepe), sensores de estacionamento dianteiro, assistente de alerta de tráfego, vidro do motorista com sistema anti-esmagamento.

A Kia estreia também seu plano de revisões com preço fixo. Mas também não é barato: são R$ 3.667,51 em seis revisões até os 60.000 km (obrigatórias para fazer valer a garantia de cinco anos). Pelo menos, o dono do SUV sabe quanto gastará — e isso pode ser um motivo a menos para chorar.

Como anda

Logo de cara, a posição de dirigir agrada. O SUV coreano finalmente recebe ajuste de profundidade do volante, o que contribui para a dirigibilidade e a ergonomia. Os comandos do ar, porém, poderiam ser posicionados mais ao alto, pois é preciso desviar o olhar para ajustá-los, e o descansa-braço (que cresceu, segundo a Kia) segue repousando apenas o cotovelo de quem vai à frente. Nos primeiros quilômetros em trecho urbano o Sportage revela a faceta cruel de sua suspensão. Apesar do jogo McPherson na frente e multibraço atrás, a Kia opta por um acerto mais firme, que cobra a conta das costas dos ocupantes. Nos quebra-molas e buracos, a cabine sente demais os solavancos. Esse acerto é uma beleza na hora de pegar a estrada. Nas poucas curvas do trajeto, o Sportage se mostra comportado e obediente. A arquitetura do SUV, agora comporta por mais da metade por aço de ultra resistência (AHSS), colabora para o equilíbrio. Já a assistência elétrica da direção contribui também para a percepção de se ter um utilitário com comportamento (quase) de sedã.

Brasil e Argentina renovam acordo veicular

Brasil e Argentina renovaram o acordo automotivo entre os países e que agora é válido até 2020. De acordo com as partes, a renovação foi baseada em melhorar a integração produtiva e comercial equilibrada, visando o livre comércio a partir de 2020. Foi estipulado que do presente momento até 1º de julho de 2019, os países vizinhos vão trabalhar com um coeficiente de desvio não superior a 1,5 – ou seja, para cada US$ 1,5 dólar exportado para a Argentina deveremos importar valor semelhante. No segundo semestre de 2019 essa taxa passa a 1,7 se houver melhoria na integração entre os processos produtivos automotivos dos dois Países. Atualmente, o segmento automotivo é responsável por quase 50% do fluxo comercial entre os dois Países. Os carros feitos na Argentina e importados ao Brasil são credenciados como carros nacionais no que se refere aos impostos, pagando a mesma carga tributária por conta do acordo entre os países, diferentemente do que ocorre com o México, onde há uma cota máxima por marca e de outros locais, onde então pagam 30 pontos percentuais extras desde 2011.

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