terça, 18 de junho de 2024

Vereador cobra da prefeitura projeto de lei para redução de cargos de confiança

José Luiz Martins 

Na última sessão do legislativo ourinhense, o vereador Inácio J. B. Filho comentou o seu requerimento 234/16 solicitando informações da prefeitura sobre a existência ou não, de projeto de lei que modifica a legislação municipal reduzindo os cargos em comissão no executivo.

A justificativa do vereador requisitando o suposto projeto, diz respeito ao fato da prefeita Belkis ter anunciado no início de 2015, que por austeridade e contenção de gastos iria reduzir em 20% o número de cargos comissionados (sem concurso público). “Ela fez uma notícia enorme, alardeou que realmente iria reduzir os cargos, disse pelo menos 20%. Não foi essa casa que falou, foi ela. Eu penso que deveria reduzir mais, 40% dos atuais 350 contratados. Gostaria de saber o que ela está fazendo a respeito do que ela prometeu”, questionou o vereador.

Para ele, com a cidade vivendo situações como essa fica difícil para a população acreditar nos políticos e agentes públicos. Ele citou o caso de um concurso realizado entre alunos da rede pública municipal para escolher modelos de portal de entrada para cidade que seriam construídos a partir de desenhos criados pelos alunos. “O executivo em 2009 mobilizou a rede municipal em torno desse concurso para crianças da 5ª séria na faixa dos 10 anos de idade, hoje essas crianças estão com 17 anos e foram iludidos pois nada foi feito. Houve até eventos e cerimônias de premiação para os desenhos escolhidos, fizeram o maior barulho na imprensa amiga e hoje ficou só a vergonha inclusive para nós que somos vereadores”, criticou Inácio. Para o parlamentar a promessa do portal em 2009 pela gestão de Toshio Misato não passou de uma enganação atingindo crianças e a promessa de diminuição de cargos feita por Belkis também é um engodo.  

A imprensa amiga – Há tempos o vereador Inácio J. B. Filho vem denunciando que a Prefeitura de Ourinhos está desperdiçando dinheiro público na contratação de órgão de comunicação e imprensa na cidade. O vereador cobrou atitude dos vereadores quanto aos gastos excessivos do executivo com propaganda nos últimos 5 anos, num cálculo aproximado a cifra chega perto de 10 milhões. Apresentou ao plenário um relatório detalhando o quanto foi gasto com meios de imprensa e comunicação em 2015 cujo montante chegou a R$ 2.150 milhões e reclamou do silêncio dos demais pares sobre essa questão. “Dois milhões cento e cinquenta mil reais é muito dinheiro! A cidade de Botucatu tem 138 mil habitantes e com rádios e jornais gastou em 2015, só R$ 81.000 mil reais. Eu já demonstrei aqui, e não vou citar novamente os gastos das cidades de Bauru, Santa Cruz, Cambará e outras (…) Esse esquema que se montou aqui em Ourinhos tem que acabar, o administrador não pode ficar refém de uma imprensa com esse cabresto que não está pegando bem”, afirmou Inácio. 

Embora as denúncias de irregularidades, favorecimento e até superfaturamento feitas pelo vereador tenham ido parar em investigação do Ministério Público desde o ano passado, dos onze, pelo menos dez vereadores evitam se manifestar sobre o caso. O jornal NOVONEGOCIÃO por várias vezes tentou abordar o assunto com os demais parlamentares que com desculpas das mais variadas, recusam-se a opinar sobre as denúncias, com alguns demonstrando muito constrangimento em repercutir o assunto.

“Imprensa Chapa Branca” ou “imprensa Amiga”? – O termo “Chapa Branca” designa defeito moral, imperfeição, vícios no jornalismo. Alude ao comportamento de determinados setores da imprensa que vivem do dinheiro público transferido via publicidade oficial e outras artimanhas. Comportamento exclusivamente de interesse econômico em detrimento de posturas ideológicas coerentes, éticas e honestas dentro da profissão.

Na prática, é a imprensa que sempre está noticiando fatos favoráveis aos governantes, costumeiramente omitindo os atos errados e fazendo promoção do governo e seus agentes políticos. É um comprometimento em manipular informações, dissimular, evitando a divulgação dos fatos que possam causar mal estar no governo. Estes desviam-se do compromisso primordial do jornalismo como espaço privilegiado para a promoção da cidadania e a formação de cidadãos conscientes com seus direitos e deveres.

São a negação do dever, responsabilidade e compromisso com a repercussão de fatos para provocar o debate e a reflexão que levam a atitudes capazes de transformar significativamente a realidade em prol da sociedade. É o alijamento em diferentes níveis da condição transformadora que pode alterar o cotidiano de pessoas ou de populações, evolução e avanços visando o progresso de comunidades, cidades, países e do mundo. Um topa tudo por dinheiro.

 

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