quarta, 12 de junho de 2024

Violência marca a semana de moradores e trabalhadores da rodoviária

Alexandre Mansinho

Atualmente Ourinhos vive uma situação bastante preocupante no que diz respeito a andarilhos e pedintes que circulam pela cidade. Locais como a Rodoviária de Ourinhos já não transmitem segurança para usuários ou trabalhadores do local e imediações.

Na última semana dois taxistas foram agredidos na Rodoviária por não concordarem em dar dinheiro a um pedinte. Uma das vítimas, declarou à nossa reportagem que não gostaria de ver sua foto ou seu nome publicado no jornal pois acredita que isto não cause nenhuma melhoria para a situação. 

Afirmou que não existe segurança na rodoviária, que outros casos já aconteceram e nada foi feito, nenhuma providência foi tomada, que nem mesmo a polícia compareceu ao local. “Alguns pedintes são violentos, já houve vários casos de pessoas que foram agredidas por não darem esmolas ou simplesmente por passar perto deles”, afirma um comerciante que pediu para ter sua identidade preservada: “essas pessoas surgem cada dia em maior número e acabam prejudicando nosso comércio”.

Uma especialista em ações sociais, ligada à Prefeitura de Ourinhos, afirma que atualmente as pessoas que estão nas ruas são andarilhas, ou seja, não são oriundas de Ourinhos e estão em constante movimento pelas cidades da região: “é muito difícil convencer essas pessoas a deixarem as ruas, elas preferem a liberdade e se recusam a serem atendidas pelos projetos sociais que temos aqui”.

Os motivos que levam essas pessoas a perderem a conexão familiar e tornarem-se moradoras de rua são os mais variados: problemas de saúde mental, vício em drogas, desintegração familiar e até criminalidade. “Eu sou nascido em Ourinhos, mudei pra Cornélio Procópio, mas andei dando umas ‘mancadas’ lá, por isso não posso mais voltar, aqui em Ourinhos minha família não me quer”, diz J.A.S., que frequenta a praça do Terminal Rodoviário. 

 

Centro POP – Nas instalações onde, há anos, funcionou o Lar dos Meninos, hoje funciona o Centro POP (Centro Especializado em Atendimento à População de Rua) e o Naia (Núcleo de Atendimento Institucional para Adultos e Famílias); que executam um trabalho que é referência para as cidades da região. Há um grupo de acolhimento que vai, em uma van, ter contato com as pessoas em situação de rua e as convida para o centro de referência. 

Segundo o secretário da Assistência Social, Felipe Pereira Ramos, as recentes reformas e a reestruturação do atendimento melhoraram muito a qualidade do serviço prestado, é importante porém, que todos façam sua parte para ajudar na resolução do problema: “Nós precisamos ter consciência de que dar esmola não resolve o problema. Muitas pessoas só se mantêm nas ruas porque conseguem dinheiro pedindo esmola. E esse não é o caminho. Nós temos percebido que por mais que se faça campanha, ainda assim, as pessoas não desistem de pedir. Então quem tem que se conscientizar é a população”.

Ainda segundo Felipe, todos devem notificar o Centro POP quando se depararem com pessoas vivendo em situação de rua: “É só entrar em contato com o Centro Pop e solicitar a abordagem dessa pessoa em situação de rua”.

Ao entrar no Centro POP a pessoa é atendida por uma equipe de profissionais que irão conhecer sua história de vida e traçar o melhor perfil de atendimento a ser efetivado. Segundo números da própria administração municipal, logo no início de 2017 houve o acolhimento de mais de 40 pessoas que ficavam nas ruas e atualmente há cerca de 50 pessoas sendo atendidas. 

Ainda segundo a prefeitura, em virtude desse trabalho, muitos se reconectaram com a família e, em alguns casos, até conseguiram trabalho fixo no comércio. Sobre a situação das pessoas que hoje usam a Concha Acústica como abrigo, a Prefeitura diz que diariamente eles são abordados por agentes sociais e que o problema está sendo enfrentado pela secretaria competente.

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