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sábado, 25 de junho de 2022

Bate recorde o número de endividados que não conseguem pagar contas

Entre os principais fatores está o desemprego, o empobrecimento do brasileiro com a escalada da inflação que já atinge 12, 13% em 12 meses, trazendo a insuportável alta de preço de alimentos puxada por sucessivas elevações do valor dos combustíveis; em 12 meses, a gasolina acumula alta de 31,22%, o etanol, de 42,11%, e o diesel, de 53,5%

 

 

José Luiz Martins

 

Recente pesquisa da CNC – Confederação Nacional de Comércio de Bens Serviços e Turismo apontou que o endividamento das famílias brasileiras atingiu o percentual recorde de 74%, o índice é o mais alto dos últimos 10 anos, desde quando a Confederação começou a fazer esse tipo de estimativa.

Segundo especialistas, o fracasso das políticas econômicas governamentais nos últimos cinco anos, iniciando-se ainda no período no governo de Michel Temer, desencadeou esse quadro negativo. Entre os principais fatores está o desemprego, o empobrecimento do brasileiro com a escalada da inflação que já atinge 12, 13% em 12 meses, trazendo a insuportável alta de preço de alimentos puxada por sucessivas elevações do valor dos combustíveis. Em 12 meses, a gasolina acumula alta de 31,22%, o etanol, de 42,11%, e o diesel, de 53,5%.

Consequência desse alto percentual de endividados, o número de inadimplentes — aqueles com contas ou dívidas já em atraso — também bateu recorde, atingindo 28,6% das famílias, índice 4,3 pontos acima do apurado em 2021.

Muitos endividados com necessidade de crédito para recomposição da renda optam pelos empréstimos, ou seja, contraem uma nova dívida para cobrir outras, o que na prática pode não ser uma boa saída para se livrar das contas a pagar. Mas, o grande vilão do orçamento familiar, segundo a pesquisa, tem sido o endividamento com cartão de crédito que atinge 72% dos consumidores.

 

CUIDADO COM O CARTÃO DE CRÉDITO – As facilidades ofertadas pelos bancos e operadoras de cartão de crédito são capazes de fazer muita gente gastar mais do que devia até perder o controle e não conseguir pagar as faturas.

Somando-se a isso, outras condições adversas como perda de emprego, influi na queda de renda agravando ainda mais a situação, como exemplificado pela representante comercial Denise de Fátima Lino, moradora de Chavantes, que após perder o emprego não conseguiu manter em dia o pagamento das contas.

“Estou com uma dívida no cartão, o banco me deu um limite bem alto e a gente acaba gastando sem pensar muito, e aí a coisa ficou bem complicada, eu acabei ficando desempregada e não conseguia mais sair da dívida. Só quando consegui emprego eu negociei e o débito foi dividido em várias parcelas que ainda estou pagando, desde então não uso mais o cartão pra nada”.

Ela ainda relatou à reportagem que foi negativada no SPC e não estava conseguindo comprar nada sem ser com pagamento a vista em dinheiro. “Fiquei muito nervosa com essa dificuldade toda, pois a gente precisa de muita coisa e não é sempre que temos o dinheiro nas mãos”, desabafou.

Segundo Denise o infortúnio financeiro lhe serviu de lição e aconselha as pessoas a tomar cuidado com cartão de crédito, não gastando por impulso e mais do que ganha.

Um dos grandes vilões da inadimplência é o cartão de crédito

 

 

A INADIMPLÊNCIA EM OURINHOS – A reportagem do Negocião entrou em contato com a Associação Comercial Empresarial de Ourinhos (ACE) buscando informações sobre indicadores de inadimplência na cidade, porém esses dados não são mais fornecidos pelo SPPC – Serviço de Proteção ao Crédito que foi incorporado a Boa Vista empresa brasileira de inteligência analítica.

Conforme a Associação Comercial as informações referentes à negativação de consumidores locais são encaminhadas diretamente à base de dados da Boa Vista, o sistema da ACE não é capaz de elaborar estatísticas que possibilitem uma mostra da quantidade de pessoas que deixam de pagar suas dívidas na cidade.

A entidade avalia que nesse momento o número de inadimplentes em Ourinhos permanece estável, em última análise, é possível que esse índice esteja crescendo devido à corrosão da renda das pessoas por conta da escalada inflacionária. O rendimento das famílias pode até estar no mesmo patamar, mas a alta de preços generalizada e contínua tem reduzido o poder de compra e de honrar o pagamento de dívidas.

A ACE estima que os reflexos e números relacionados ao não cumprimento de contratos e ou obrigações no comércio local sejam perceptíveis no segundo semestre deste ano. E ainda, boa parte das empresas e comerciantes ourinhenses não têm o hábito de negativar inadimplentes de imediato, preferem tentar negociar diretamente com cliente até que se esgotem as possibilidades de acordo para quitação, para então negativar o devedor junto ao SPPC – Serviço de Proteção ao Crédito através da Associação Comercial de Ourinhos.

A ACE Ourinhos estima que os reflexos e números relacionados ao não cumprimento de contratos e ou obrigações no comércio local sejam perceptíveis no segundo semestre deste ano

 

 

 

Veja o que disseram outras pessoas ouvidas pela reportagem ao serem questionadas sobre as dificuldades de manter as contas em dia.

 

 “Eu tenho 52 anos e nunca vivi uma situação tão ruim como agora com esse governo aí, moro de aluguel, tenho uma filha e um rapaz que ficou desempregado no ano passado, meu marido é aposentado e não tá dando pra pagar as contas em dia. Tá um aperto danado, a gente tenta não atrasar as contas mais todo mês tem uma ou duas que ficam pra trás até que o dinheiro apareça. Meu filho comprou uma moto para ir trabalhar e não está pagando as prestações, acho que ele vai ter que vender pra se livrar da dívida, é uma judiação o que ele está passando. Ainda bem que tem os parentes que dão uma ajudinha e a gente vai levando do jeito que dá”.  – Zulmira dos Santos Dias – Dona de casa – Vila São Luiz

 

 

 “Sou viúva moro com minha irmã, estamos tendo perrengue por questão de sobrevivência e está sendo difícil pagar os custos de cartório pra fazer o inventário, é um absurdo o que eles cobram, outra coisa é a conta de luz que está ficando muito cara. Duas pessoas em uma casa pequena ter que pagar mais de 250 reais de energia elétrica está pesando, mas estamos a duras penas conseguindo pagar. Mas sei de gente próxima que vai deixando atrasar e vai acumulando vira uma bola de neve”.Dulcineia Tanaka Pereira – aposentada – Jd Itamaraty

 

 

“Quem não está com problema financeiro hoje em dia, do jeito que está o país hoje acho que todos têm alguma dificuldade de pagar as contas, tudo está pesando no orçamento, o custo de vida encareceu com essa inflação muito alta. Por enquanto não tenho conta atrasada, mas do jeito que está indo alguma coisa vai ficar pra trás, estou deixando de andar de carro, economizando na gasolina pra poder pagar boleto e por comida na mesa”.Jonas Aparecido de Sousa – Encarregado de serviços – Jd. Itajubi 

 

 

“As contas vêm e vão então estou empurrando com a barriga, tenho que espremer aqui pra poder pagar alí, tirar o dinheiro reservado de uma conta pra pagar a outra e assim vou nesse ciclo. O meu orçamento não está dando para cobrir todas as contas, o combustível subiu muito e as coisas estão muito caras, e o que ganho hoje não dá pra fazer nada, antes o pobre comia carne e hoje come ovo. Não estou conseguindo pagar a prestação do meu carro que está com três meses em atraso, pago uma e deixo outra atrasada e assim vou empurrando com a barriga até que eu consiga pôr em dia, espero…”Valdinei Dias – Técnico em eletrônica – Jd Itaipava

 

 

“Eu estou desempregado, e pra piorar estou com o pé quebrado sem poder trabalhar e ainda não tenho amparo do INSS. Estou com o IPVA do meu carro atrasado desde janeiro, mas posso dizer que Graças a Deus não estou endividado, ainda. Minha sorte é que minha esposa trabalha, então as contas principais de água, luz, gás, mercado, estamos mantendo em dia porque se faltar isso não tem como viver em paz”. Miguel Angelo Albertini – Açougueiro – Centro

 

 

“Olha eu evito de todas as maneiras me endividar, só uso o cartão de crédito quando realmente aperta e não tenho o dinheiro na mão pra alguma necessidade. Particularmente não gosto de cartão de crédito por causa da anuidade que eles cobram valores absurdos e se cair nos juros por atraso, o tal rotativo complica demais, prefiro pagar com dinheiro, mas nesse momento estou sendo obrigada a usar o cartão. Precisei comprar um colchão e não tinha o dinheiro no momento e tive que parcelar o pagamento no cartão, ficou mais caro. Tenho amigos e pessoas na família que se endividaram por causa da ilusão do cartão de crédito e se embananaram, tem de ter cuidado com isso”.Kelly Cristiane dos Santos – Auxiliar de serviços gerais – CDHU

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