terça, 10 de março de 2026
Publicado em 28 fev 2020 - 19:45:16
A suposta motivação da demissão é a conduta da médica, que possivelmente não trabalhava de acordo com as regras da direção
Marcília Estefani
A demissão da médica Dra. Valeska Abud, que prestava serviços na UPA – Unidade de Pronto Atendimento de Ourinhos – causou grande descontentamento e revolta aos munícipes. Ourinhenses afirmam através das redes sociais que a profissional é um exemplo de atendimento humanizado na unidade.
Os usuários pedem uma resposta da municipalidade e da direção do UPA, visto que a iniciativa pegou todos de surpresa, por se tratar de uma profissional que há cerca de 10 anos trabalha na Unidade.
POSIÇÃO DA UPA – Em nota, na terça-feira, 25, a direção da UPA afirmou que a composição clínica da unidade exige corpo clínico médico com perfil para atender casos de urgência e emergência. Isto deu a entender que a profissional não atende as exigências da unidade. Segundo a nota: “A Direção da UPA 24 (Unidade de Pronto Atendimento) informa que a composição clínica da unidade exige corpo médico com perfil para atender casos de urgência e emergência, cujo objetivo principal é estabilizar pacientes que dão entrada nessas condições. Neste contexto, foram realizados ajustes em seu corpo médico para atender ao perfil assistencial dos pacientes, priorizando profissionais com essa qualificação, que tenham especialização em urgência e emergência. O médico ou médica que não tiver essa especialização, não poderá atender na Unidade, mantendo o compromisso em oferecer atendimento de qualidade e humanizado para a população de Ourinhos e região”.
ENTREVISTA EXCLUSIVA DRA. VALESKA ABUD – Em entrevista à reportagem do Negocião, a médica Dra Valeska Abud, afirmou em seu currículo, que trabalhou boa parte de sua carreira, no setor de urgência e emergência. “Sempre atendi urgência e emergência, inclusive, durante os quase 10 anos que atuei na UPA de Ourinhos, fiz os atendimentos de urgência e emergência. Minha carga horária era de 90 horas semanais. Só para constar a direção do UPA me exigiu que fizesse o curso de ACLS que é um curso de ressuscitação cardiorrespiratória”.

MUDANÇA DE EXPLICAÇÃO – A médica contou que a diretoria da UPA, no momento de sua dispensa, afirmou que o afastamento foi motivado por uma reclamação na ouvidoria. Porém, após serem questionados pela imprensa mudaram o motivo. “Depois dos questionamentos, informaram que tinha sido dispensada porque não tinha o perfil de médica que atendia urgência e emergência, que é uma grande mentira. Não me pediram nenhum outro curso além do ACLS e se tivessem pedido faria sem nenhum problema”, afirma a profissional.
PERSEGUIÇÃO E CRÍTICAS – Dra Valeska lembra que desde que o atual diretor clínico da UPA assumiu o cargo na unidade, passou a sofrer com perseguição e críticas por parte dele, por pedir exames e internações para os casos que achava necessário. “Inclusive, tive vários dias de meus plantões cortados por ele, mas deixo registrado aqui que nunca deixei de atender meus pacientes da maneira correta e sempre que houver necessidade de exames para um diagnóstico mais preciso irei solicitá-los e nunca deixarei de pedir internação para os casos que sei que são necessários. Mesmo que isso custe a minha demissão porque o meu compromisso é com os meus pacientes e depois com a minha consciência”, concluiu a médica.
AGRADECIMENTO – A médica agradeceu toda a população de Ourinhos que tem se posicionado ao seu favor.”Quero agradecer a todos pelas manifestações de apoio e solidariedade nesse momento muito difícil que estou enfrentando e deixar registrado que tenho um carinho especial por todos vocês”.
REPERCUSSÃO NA CÂMARA – Na última sessão da Câmara Municipal, realizada na quinta-feira, 27, o vereador Edvaldo Lúcio Abel (Vadinho – PSDB), revelou um áudio de suposta conversa entre Dra. Vanessa e o diretor técnico da UPA, Dr. Jan Chryslen Silva da Costa.
O médico afirma: “Valeska tá ficando ruim, pra internar só se o paciente for morrer, se o paciente não for morrer Valeska, não interna, manda pra casa, faz receita, não é pra internar se o paciente for ficar com coisinha no UPA (…) porque a gente já mandou tudo que tinha pra mandar, não tem canto nenhum na Santa Casa, já não tinha, agora não tem mais (…)”.
NOVO ÁUDIO – Em outro áudio divulgado na sexta-feira, 28, nas redes sociais, a própria doutora fala com o vereador Vadinho e afirma a perseguição que sofria por conta de sua forma de trabalhar, que segundo ela, não condiz com a forma de atendimento proposto pela instituição. “Nada de exames, apenas passar um remedinho qualquer, mandar as pessoas para casa e internação só se tiver certeza que a pessoa vai morrer”.
CPI? – No final do seu pronunciamento, Vadinho afirmou: “A Dra Valeska foi demitida porque ela estava encaminhando muita gente pra Santa Casa. Vou pedir uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito – e espero o apoio dos outros vereadores”, assegurou.

OUTRO LADO – A PróVida, empresa que administra a UPA de Ourinhos, informou que abrirá sindicância interna para apuração dos fatos, e que de acordo com os resultados apurados pela mesma, as medidas cabíveis serão tomadas.
Informaram também que a partir desta data (28/02/2020), o Dr Jan Chryslen Silva da Costa, está afastado das funções de Coordenador Técnico da UPA, até que os fatos sejam esclarecidos.
PREFEITURA – A Prefeitura de Ourinhos informou através de nota que enviou um ofício à Pró Vida, empresa que administra a UPA de Ourinhos, solicitando esclarecimento sobre o áudio que envolve o médico que atende na unidade e as medidas que serão adotadas.
CURRÍCULO DA DRA. VALESKA ABUD DE VASCONCELOS – A médica é natural de São Matheus-ES e mora em Ourinhos há cerca de 11 anos. É formada pela Faculdade de Medicina de Campos.
Fez especialização em Endocrinologia no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro e curso de ultrassonografia na UNISSOM.
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL – Trabalhou no Rio de Janeiro, no setor de urgência e emergência do Hospital Pedro II em Campo Grande; na URGECOR no setor de urgência e emergência em Jacarepaguá; em São Matheus (estado do Espírito Santo) na emergência do Hospital Roberto Silvares; na UTI móvel do grupo Saúde Vida, prestadora de serviço médico para a PETROBRÁS; no hospital de Pedro Canário, no setor de urgência e emergência; trabalhou no Estado da Bahia no Município de Úna, no setor de urgência e emergência; atuou como médica da família em Linhares ES; trabalhou no município de Conceição da Barra no setor de urgência e emergência; em Ourinhos, inicialmente trabalhou nos postos da Vila Brasil e CAIC.
Quando inaugurada a UPA iniciou o trabalho em urgência e emergência e atendimento ambulatorial; fez o curso de ACLS (ressuscitação cardiopulmonar) recentemente.
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