terça, 10 de março de 2026
Publicado em 01 jul 2020 - 11:50:00
A brincadeira se torna perigosa por ser praticada junto às redes elétricas e pelo uso de linhas cortantes
Marcília Estefani
Apesar do período de isolamento social, com a chegada de junho, que traz tempo seco e ventos propícios, tem sido comum observar crianças, adolescentes e adultos, pelas ruas empinando pipas. A atividade é tradicional nesta época do ano, e encarada por muitos como uma brincadeira inocente, mas perde um pouco de seu colorido com os acidentes nas proximidades das redes de energia elétrica, além do uso indevido de cerol e outras substâncias cortantes.
LEVANTAMENTO – Segundo a CPFL Santa Cruz, por meio da campanha Guardião da Vida, um levantamento realizado pela companhia identificou quatro vezes mais interrupções no fornecimento causadas entre abril e maio de 2020 – período da quarentena imposta pelo novo coronavírus – em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 63 registros em toda a sua área de atuação nos dois meses deste ano contra apenas 15 em abril e maio de 2019.
A região de Ourinhos seguiu a tendência de alta, registrando 31 interrupções por pipa em abril e maio deste ano e 5 ocorrências no mesmo período do ano passado. A cidade com mais casos em 2020 é Avaré, seguida por Ourinhos e Bernardino de Campos. A única cidade na contramão é Ipaussu que não tem nenhum caso neste ano.

ACIDENTES EM OURINHOS – Na Central de Polícia Judiciária de Ourinhos também é possível encontrar ocorrências registradas de acidentes com pipas. No final do mês de maio, por exemplo, uma menina, moradora na Vila Christoni, foi atingida no pescoço por linha de cerol.
A Polícia Militar esteve no local, onde avistou cerca de 20 pessoas soltando pipa pela Rua Isabel Alves Veloso. Os envolvidos, crianças e adolescentes, fugiram deixando para trás 14 carreteis de linhas com cerol e linhas chilenas. O material foi todo apreendido.
No mês de junho, foram verificados mais três acidentes. Na Vl Boa Esperança, um homem de 46 anos soltava pipa com seu filho de 15 anos, na tarde da quinta-feira, 11. Eles tiveram a pipa cortada por um outro indivíduo e ao tirar satisfação com o desconhecido, ambos foram agredidos com socos, pontapés e pauladas por cerca de dez pessoas. Eles sofreram vários ferimentos e foram socorridos e levados até a Unidade de Pronto Atendimento de Ourinhos.
No sábado, 13, por volta das 17h00, alguns moradores do Jardim Colorado ficaram sem conexão com a internet graças a um rapaz de 24 anos, que conseguiu cortar um cabo de transmissão quando soltava pipa com sua linha chilena. Além de estar errado, o acusado ainda desrespeitou a polícia e tentou fugir.
Na quarta-feira, 17, foi a vez de moradores do Jardim São Carlos, Rua Antonio Soares da Silva, ficarem sem energia elétrica. Segundo moradores do local, a interrupção se deu após uma pipa com linha chilena enroscar nos fios e romper um cabo de energia elétrica.

Munícipes afirmam pelas redes sociais que em bairros como Jd dos Pássaros, CDHU, é muito frequente a incidência de problemas com este tipo de brincadeira.
ADVERTÊNCIAS – Ainda segundo a CPFL, os desligamentos e os acidentes causados pelas pipas podem ser evitados com alguns cuidados simples. É importante escolher um local longe da fiação elétrica, como campos abertos e parques, fugindo do entorno de rodovias ou das avenidas de intenso movimento, onde também podem acontecer os atropelamentos.

Não tente resgatar uma pipa enroscada na rede elétrica, pois além de provocar desligamentos no fornecimento de energia pode causar acidentes, com vítimas fatais. O ideal é soltar pipas longe da rede elétrica. Se acontecer de o brinquedo ficar preso em um fio, a melhor atitude é dá-lo como perdido.
Além disso, vale destacar que no estado de São Paulo é crime de acordo com a lei estadual nº 12.192, de 2006, usar o cerol ou a chamada “linha chilena”. Por conduzirem eletricidade, em contato com a rede elétrica, aumentam o risco de choques. Por conta do seu poder cortante, essas linhas podem romper os cabos da rede e provocar curtos-circuitos, além de colocar em risco a vida de ciclistas e motociclistas, que podem ser feridos ou até degolados, dado ao alto poder cortante dessas linhas.
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