terça, 29 de setembro de 2026
Publicado em 29 set 2026 - 16:39:32
Mas, por que os cantores não gaguejam quando estão interpretando suas canções?
Marco Paulo Ferreira
Os cantores já falecidos Nelson Rodrigues e Elvis Presley têm algo em comum com os ainda vivos Ed Sheeran e Xand Avião: a gagueira. Também chamada de disfemia, é um distúrbio de fala em que há dificuldade de manter a fluência, incluindo repetições de sons, sílabas ou palavras, prolongamentos de sons e bloqueios.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Fluência (IBF), a gagueira atinge cerca de 10 milhões de pessoas no país.
Mas, por que os cantores não gaguejam quando estão interpretando suas canções? A fonoaudióloga Nara Castanhas Zimermano (CRFa 2-17811), conselheira do CREFONO2 – Conselho Regional de Fonoaudiologia 2ª Região (São Paulo), explica que o canto utiliza mecanismos de ritmo, respiração e processamento da linguagem diferentes daqueles empregados na fala espontânea.

“Na fala comum, o cérebro precisa criar e processar a mensagem do zero, além de envolver aspectos subjetivos e simbólicos sobre o falar, o que se é dito e a quem é dito. Ao cantar, a letra e a melodia já estão prontas. Ou seja, quando cantamos, geralmente sabemos as letras da música de cor e já temos demarcado o ritmo desse texto, principalmente para quem é cantor por profissão”, explica.
Ainda de acordo com a fonoaudióloga, o compasso da música ajuda a organizar os movimentos da boca e a respiração, evitando os sintomas da gagueira. Em relação às possíveis causas, Nara conta que podem ser variadas, dentre elas: disfunções no controle motor da fala, fatores genéticos, danos cerebrais, fatores psíquicos/emocionais e simbólicos.
Para diagnosticá-la, a avaliação deve ser conduzida por profissionais habilitados e o tratamento realizado com acompanhamento fonoaudiológico especializado em fluência, focado na integralidade do cuidado biopsicossocial que envolve os músculos da cabeça e pescoço, ritmo de fala, relação do sujeito com sua fala e suas interações.
“É necessário acolhimento, especificidade técnica e ética para um cuidado tão genuíno e composto por vários fatores”, conclui a conselheira.
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