domingo, 14 de abril de 2024

Rebeca Andrade conquista ouro inédito e é campeã mundial de ginástica

Campeã no individual geral, a agora ginasta mais completa do mundo ficou com o 3º lugar no solo, com 13,733, trazendo o bronze para o Brasil

 

Da redação/Conteúdo br.noticias.yahoo.com

 

Rebeca Andrade conseguiu, nesta quinta-feira (3), um resultado histórico para a ginástica artística do Brasil. A paulista de 23 anos venceu a final individual geral do Mundial, em Liverpool, na Inglaterra, e se tornou a primeira pessoa do país a conquistar a medalha de ouro nessa disputa.

Brasileiros já haviam triunfado em decisões por aparelhos em seis oportunidades no Mundial, uma delas com a própria Rebeca, no salto, em Kitakyushu, no Japão, em 2021. Mas o máximo no individual geral era o bronze de Jade Barbosa em Stuttgart, na Alemanha, em 2007.

Desta vez, Rebeca já chegou com favoritismo e era apresentada como a estrela da competição. Ela não tinha a concorrência de Simone Biles, maior ginasta da história, nem a daquela que ficou com o ouro no individual geral nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, Sunisa Lee.

 

 

As duas norte-americanas estão afastadas do esporte por questões de saúde mental, e ficou aberto o caminho para a brasileira, prata no individual geral em Tóquio, confirmar que é a melhor ginasta da atualidade. Ela procurou lidar com essa pressão com naturalidade.

“Eu acho que isso é bom, porque mostra o potencial que o Brasil tem. Tudo bem que é a minha foto que está lá, mas as pessoas ficam de olho em toda a nossa equipe. A gente sempre teve potencial para mostrar o talento que a gente tem”, afirmou.

Levado em conta seu altíssimo nível, no entanto, a atleta de Guarulhos não começou bem o Mundial. Errou naquela que é sua especialidade, o salto, e não conseguiu classificação no aparelho. Foi bem em outras provas, no entanto, e avançou à final no solo, nas barras assimétricas e na trave.

Na disputa coletiva, na terça-feira (1º), esteve no grupo que conseguiu a melhor colocação na história da equipe brasileira, o quarto lugar. Ela ainda disputará as decisões por aparelhos no final de semana, mas já viveu seu grande momento na M&S Bank Arena nesta quinta.

Rebeca começou muito bem a final individual geral, no salto. Ouro na modalidade nos Jogos de Tóquio, ela buscou uma execução de dificuldade bem alta e alcançou 15.166, abrindo vantagem de 0.933 sobre a sua principal concorrente, a norte-americana Shilese Jones.

A brasileira não teve o mesmo desempenho nas barras assimétricas. Teve problemas na execução de uma parada de mão. Porém, com seus 13.800, fez o suficiente para permanecer na liderança, com 0.367 de vantagem sobre Jones.

Na terceira rotação, Andrade foi para a trave de equilíbrio, onde teve uma apresentação correta. Se perdeu a conexão de alguns movimentos, foi precisa nas acrobacias. Com 13.533, manteve-se na primeira posição, 0.800 à frente de Jones, e passou a se concentrar no solo.

A paulista seria a última a se apresentar nesse exercício, com sua coreografia ao som de “Baile de Favela”. Fizesse os movimentos corretamente, seria a primeira brasileira a conquistar a medalha de ouro no individual geral. E fez.

 

Rebeca Andrade é medalha de bronze no solo no Mundial de Ginástica

A participação de Rebeca Andrade chegou ao fim no Mundial de Ginástica em Liverpool, na Inglaterra. Campeã no individual geral, a agora ginasta mais completa do mundo ficou com o 3º lugar no solo, com 13,733. A medalha de ouro ficou com Jessica Gadirova, da Grã-Bretanha, com 14,200 pontos e a americana Jordan Chiles, com 13,833, ficou com a prata. O pódio ainda teve Jade Carey, também dos Estados Unidos, com a mesma pontuação da brasileira.

A brasileira foi a primeira a se apresentar e arrancou aplausos das arquibancadas ao som de “Baile de Favela” em Liverpool. Foi a última vez em que a medalhista de ouro no individual geral fez essa apresentação. A Confederação Brasileira entrou com recurso para a nota de dificuldade da Rebeca, mas o recurso foi negado.

 

 

– Não ouvi a música entrando junto com a do solo não, ela já está gravada na minha cabeça, então não percebi. Não me atrapalhou não, foi tranquilo – disse Rebeca sobre um possível problema com a música, notada pela transmissão do SporTV mas não pelo repórter Marcelo Courrege, in loco, e nem pela ginasta.

Pouco depois, os Estados Unidos entraram com protesto para aumentar a nota da campeã olímpica Jade Carey, mas o tiro saiu pela culatra. Na revisão, a nota dela diminuiu, e por critérios de desempate, a americana colocou Rebeca no pódio restando ainda uma apresentação, de Jessica Gadirova, da Grã-Bretanha.

– Quando você pede recurso, tem que ter muita certeza. O dela abaixou a nota, mas estou no pódio, não vou reclamar não (risos) – disse Rebeca.

Flávia Saraiva, que disputaria o título, acabou se lesionando e ficou de fora da final. Ela ainda tentou participar da prova, mas não conseguiu superar as dores no tornozelo direito durante o aquecimento. A brasileira se machucou no pouso do salto sobre o cavalo, ainda nas eliminatórias.

Na final das barras paralelas, Jingyuan Zou tirou 16,166 nas barras paralelas, a primeira nota acima de 16 pontos e se sagrou tricampeão mundial do aparelho. Zou é também o campeão olímpico da prova. Mesmo com 15,500, o alemão Lukas Dauser ficou com a medalha de prata. O filipino Carlos Edriel Yulo foi bronze e completou o pódio.

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