quinta, 23 de maio de 2024

Professora desenvolve projeto de incentivo à leitura com temáticas sociais para crianças em Ourinhos

Livros antirracistas foram os primeiros a serem abordados

 

Por Geovanna Ferreira

 

Apaixonada pelo universo da leitura, a professora de língua portuguesa Glaucia Fernanda Fitipaldi Capel, decidiu desenvolver um projeto chamado “Sala de Leitura – A Cor da Cultura”, na Escola Estadual Professor José Paschoalick, para crianças da 2ª a 5ª série. O projeto que iniciou há três meses, é realizado a cada 15 dias no quiosque da escola, onde a pedagoga aborda temáticas sociais.

A ideia surgiu após um caso que ocorreu na escola de ridicularização de um cabelo afrodescendente. Ela conta que, com essa situação, tomou a iniciativa de utilizar os livros étnico-raciais que o Governo do Estado de São Paulo disponibilizou para trabalhar com as crianças. “Recebemos para o acervo da biblioteca vários livros com temas antirracistas. Pensando nisso e no impacto que eles podem causar nas crianças, conversei com a gestão da escola que aceitou começarmos esse projeto”, afirma.

Segundo o site do Governo do Estado de São Paulo, a Seduc-SP (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo), entregou 1.333.791 livros com temática étnico-racial, literatura e conteúdo técnico para as escolas estaduais e municipais de 643 cidades – um investimento de R$43.830.568,55. Essa ação atendeu 5.175 escolas de ensino fundamental (anos iniciais e finais), ensino médio, Ceejas (Centros Estaduais de Educação para Jovens e Adultos), Escolas Indígenas, Classes Provisórias, além de unidades municipais conveniadas. Do total entregue, 58 títulos são de temas antirracistas, que resultam em 228.702 exemplares.

 

A professora faz a contação quinzenalmente. (Imagem/Reprodução: Facebook – Glaucia Fer Fitipaldi)

 

O desenvolvimento do projeto

A Escola Estadual Professor José Paschoalick recebeu cerca de 300 livros do Governo do Estado de São Paulo, incluindo ensino fundamental e médio para serem abordados em salas de aulas.

O projeto trabalha um livro diferente a cada 15 dias. A professora busca a reflexão dos estudantes fazendo a análise com uma sala por vez, sendo em média 30 alunos, e por fim, sempre leva uma boneca negra, a “Zizi”, para deixar bem evidente para as crianças a importância do assunto.

 

Boneca “Zizi” na contação de histórias da influência dos países africanos. (Imagem/Reprodução: Facebook – Glaucia Fer Fitipaldi)

 

Diversos livros já foram abordados no quiosque da escola. Dentre eles, a educadora Glaucia Capel, lembra de uma leitura que fez e tinha como principal vertente, a influência dos países africanos no Brasil. “Eu selecionei, dentro de uma caixinha, palavras que utilizamos no nosso país, mas que possuem origem africana. No final, eu deixei a Zizi segurando essa caixa e cada criança escolheu uma frase e fez a leitura. Foi bom poder ver elas questionando sobre a importância dessa temática”, comenta.

 

Acervo de livros antirracistas da escola. (Imagem/Reprodução: Geovanna Ferreira)

 

O projeto e a contação de histórias

Mas não para por aí. O projeto “Sala de Leitura – A Cor da Cultura”, que tem se desenvolvido há três meses contou, pela primeira vez, com a participação da pedagoga e contadora de histórias, Adriana Vicioli.

Adriana Vicioli que trabalha com contação de histórias há seis anos, é também coautora do livro “Sinto o que conto, contos que sinto”, publicado em 2021 por nove mulheres de diferentes idades e lugares durante a pandemia. Apaixonada pela leitura e escrita, ela foi convidada para contar com a professora Glaucia a história da “Pretinha de Neve e os Sete Gigantes”, livro de Rubem Filho que reinterpreta o conto original da “Branca de Neve e os Sete Anões”.

 

Escritora Adriana Vicioli fazendo contação de histórias na escola Paschoalick. (Imagem/Reprodução: Facebook)

 

A obra traz outro espaço – o continente africano –, transformando os elementos do conto original aos hábitos e costumes dessa região. Com a união de todas as turmas que Glaucia desenvolve o projeto, Adriana conta como foi ver a reação das crianças nesse dia: “Foi incrível. Eles ficaram bem curiosos e é perceptível a magia através de uma contação de histórias. Ela é dinâmica e faz com que eles entrem nesse universo”.

Por meio dessas iniciativas o projeto tem despertado nos alunos o gosto por ler e proporcionando a imensidão do mundo literário, tornando uma prática prazerosa em um ambiente diferente, desenvolvendo, por fim, o pensamento crítico e criativo nas crianças.

 

As crisnças ouvem atentas as histórias contadas pela Escritora Adriana Vicioli (Imagem/Reprodução: Facebook)

 

A escritora também complementa a respeito da importância do projeto: “Eu achei fantástico ela estar trabalhando esses temas sociais com as crianças, pois precisamos abordar sobre isso logo na base. E é incrível também porque, além disso, essas histórias sempre marcam as crianças”, finaliza Adriana.

 

 

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